"Mais ministros deveriam andar de táxi" - Artigo de Claudio Lamachia
27/03/2026 15:23h
A República se sustenta sobre um princípio inegociável: todos são iguais perante a lei. Não é apenas uma fórmula do artigo 5º da Constituição. É o fundamento da confiança nas instituições e na própria ideia de justiça.
Sempre que surgem denúncias ou questionamentos envolvendo agentes públicos, o que a sociedade tem o direito de exigir é transparência, investigação rigorosa e respeito ao devido processo legal. Investigar não é condenar. É esclarecer os fatos.
A opacidade não fortalece instituições. Ao contrário, o silêncio amplia a desconfiança pública. Instituições sólidas são as que enfrentam questionamentos com serenidade e mostram, na prática, que ninguém está acima da lei.
Nos últimos tempos, vieram à tona questionamentos envolvendo o Banco Master e menções a ministros do STF. Independentemente de quem sejam os citados ou do resultado das apurações, o essencial é que o interesse público exige que os fatos sejam conhecidos e esclarecidos.
Recentemente, a ministra Cármen Lúcia relatou ter ouvido, em conversa com um motorista de táxi, um comentário sobre a percepção da sociedade em relação ao STF. O episódio é simbólico. Fora dos gabinetes, dos jatinhos e das formalidades do poder, existe uma sociedade atenta, crítica e inquieta.
Talvez por isso caiba a metáfora: mais ministros deveriam andar de táxi.
Não pelo transporte em si, mas pelo que ele simboliza: escuta, contato com a realidade e percepção de como as decisões repercutem na vida das pessoas.
Ao presidir o Conselho Federal da OAB em um dos momentos mais complexos da Nova República, reforcei uma convicção: instituições se fortalecem com transparência, compromisso com a verdade dos fatos e respeito absoluto à lei.
Quando surgem dúvidas relevantes, a resposta é a investigação. Quando há questionamentos públicos legítimos, a resposta institucional é a transparência.
Porque, no fim, a confiança da sociedade se preserva quando prevalece uma certeza fundamental: ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei.
27/03/2026 15:23h
